Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

FotoGrafias...

As janelas degradam-se, nas velhas fachadas podres… sofrem!..., aos olhares de quem as sente moribundas:… a imediata falência; o sucumbir de uma geometria já cansada e gasta de olhar a rua imediatamente acima do paralelo, do granito da calçada… Ah! Poder ser outra a perspectiva!... Empenas esventradas pela corrosão do tempo; arquitecturas erodidas pelas intempéries ácidas de muitas meteorologias hostis. As vidas que ocultam ou já só mortes sepultadas. E as almas que partiram pelo saguão… ascenderão ainda nas escadas?!... Os mortos de amanhã albergam em si os cancros que hoje perpetuarão o sofrimento. Quero esquecer tudo! Quero lembrar tudo!... Quero esclarecer, acima de tudo, o nosso mito…. Animais de montanha errando numa cidade de claridades artificiais. De onde sobressai a sombra da indiferença; a divergência assimétrica da barraca; a casa desigual do sem-abrigo; um complexo habitacional desurbano e desumano, que encerra a clandestinidade dos exilados da fome. Um realodrama fechado em condomínio de lata. Refúgio onde a pobreza se multiplica vezes sem conta.

 

A paixão?...: Não mais do que um saudosismo do inalcançável; de tudo que não se achou e se acha perdido. A imagem que me persegue. A imagem dela persegue…-me nas paisagens e nos sons desencontrados que chegam à escotilha móvel do comboio…. A caminho da tua casa, da minha casa, da nossa rua, do nosso sub-mundo quente e acolhedor.

À minha direita sempre o rio que sempre te reflecte imensa!...

 

Gentes caladas e pensativas. Cismando, quem sabe, na exaustão do ferro; no cansaço desejado do regresso… o avesso da partida; na troca de um olhar: a dádiva conseguida…

publicado por Latitudes às 19:25
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2 comentários:
De Lampejos a 25 de Janeiro de 2008 às 03:39
Mário,

Não há como enganar a veracidade das tuas palavras.
Que rasga–se então... A vida prá se fazer viver!

Pois o poeta já conhece que o engasgo só vem se a gente não bebe da fonte que traz mais que água pura.


(a)braços Poeta talhado à luz do sol :)
De Nanda a 7 de Janeiro de 2009 às 09:37
Lindas e sentidas palavras...
Continua a brindar-nos com a tua linda poesia
Abraços e Flores

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.João Ramos


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fiquei deslumbrado com esta pequena bruxinha... mágica poesia que se lança como um feitiço aos olhares mais desencantados...
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