Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

as palavras vitrificam...

Kathe Kollwitz 01.jpg

as palavras vitrificam

no verde da agonia!...

reflexos interiores

que se quebram como espelhos

à surdez do grito

 

olhar despedaçado

pelo estilhaçar do silêncio

de quem aflito responde

a uma qualquer repressão

a intenção sedutora da liberdade

a violência da vontade de não calar…

esculpida na expressão dilacerante da afonia

a fisionomia da tranquilidade explosiva de uma nebulosa

a estridente melancolia dos sem-voz

o desespero de quem como nós

se exprime a qualquer preço

 

o que mereço… é só loucura

é só alucinação cósmica:… a cor irreal

da insanidade latejante de um pensamento

frio no infinito padecer da alma

no vórtice desse outro inferno que nos aclama

matéria para combustão e sofrimento


imagem: Kathe Kollwitz

publicado por Latitudes às 00:27
link do post | comentar | favorito
5 comentários:
De Lampejos a 22 de Janeiro de 2008 às 05:00
Mário,

Tu nunca miniminiza a emoção a opressão a dor da flor roída..pelo sofrimento..?

Essa tua escrita diz o instante do colo que redime o cansaço guardado pela riqueza poética.

(a)braços meu poeta :)
De aDesenhar a 23 de Janeiro de 2008 às 00:49
para que as minhas palavras não vitrifiquem
deixo um
abraço.
.
.
De Ceu a 24 de Janeiro de 2008 às 13:46
Surdez, silencio, repressão, violência, melancolia, desespero, sofrimento .... abstrai-te desses pesadelos amigo, porque o teu carater e o teu talento compensa todos os negativos !!! bjs
De li7 a 15 de Maio de 2008 às 15:45
A vidraça do espelhado que não se vê
De sentimentos não sentidos,
Mas possuidos pelo obscuro que há em mim.
Do saber delirante que não sou mas tenho.

Mario,
Permitiu-me o tempo ler um pouco da tua poesia depois de a ouvir rasgada pela tua voz.
É imenso esse teu arrumo de palavras.

Beijo

Li7

De Nanda a 7 de Janeiro de 2009 às 11:26
Nunca deixes de te exprimir em tão belas palavras...
Abraço

Comentar post

.João Ramos

.pesquisar

porque a riqueza está
na diversidade...
não à uniformização...
"as imagens possíveis.../ neste lugar ao sul no meu/ interior nordeste/ uma viagem à minha / geografia interior/ lugar onde sou e que sou, sempre!.../ ainda que em Latitudes ausentes/ buscando uma longitude constante” Mário João Page copy protected against web site content infringement by Copyscape


com a ferramenta possível... possivelmente o melhor de mim

.arquivos

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Dezembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Novembro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.links

oferecido por...(clica no selo)

.Carmen Ayerra

fiquei deslumbrado com esta pequena bruxinha... mágica poesia que se lança como um feitiço aos olhares mais desencantados...
fado português... fado meu... vida minha...
RSS