escuto sobretudo a voz
que se interpõe à saudade:
brisa que te traz a mim…
murmurante vaga
tão cheia de vida …
imagem: pescada na rede
por: um pescador de sonhos
crescem-me poemas na insignificância...
redonda das coisas...
e nas brutais memórias que me são infância
a razão que cede a essa matéria inócua
que não existe...
agora!
ser algo perpétuo...
não ser o melhor
mas
Ser Verdadeiro!...
ainda que apenas a sombra
daquilo que ironicamente
nos sorriu...
só...
enquanto a dúvida
me devora...
e o tempo ameaça
sufocar o nosso
amor...
a angústia de te
saber perdida
confronta-se com a
alegria de te saber
parte de mim...
a melhor parte de mim
quedou-se nesse lugar etéreo
leito de quem amou
pétala a pétala o
jardim onde nos demos
sem mácula
Amor
esse suspiro branco…
saudade
o cristalizar
das horas
que somam
distância
nunca mais
vencida…
...
o Homem arde lentamente como um pensamento…
cinza que em nós restou...
premente a poesia torna-se a imediata combustão do sonho
que vertical se ergue do chão...
raízes não são senão versos rasgando
o que de interno somos no exterior da terra
e o fogo que a luz e o amor encerra...
liberta o aroma das emoções que se abraçam a nós...
i n s a n o s que verbalizam p o e s i a...
como se de incenso se tratasse
...
procuro-Te …
a noite agita-se, precipita-se sobre mim
vazia, implacável e fria!!!
desenham-se no meu pensamento o olhar e o sorriso… o abraço…
uma carícia tua… percorre-me neste silêncio deserto
entre as parede que me seguram nesta solidão horizontal…
procuro desesperadamente um poema que me leve a ti…
libertador!!!
o que haverá para além deste horizonte saudade
onde permaneço por ti tão apaixonado?
o que ficará aquém do teu mais íntimo desejo?
o que será de nós ausência?...
e quantos lugares extinguirão… quando partirmos?...
não é a primeira vez que me perco desperto no meio da insónia;
não é a primeira vez que me apetece adormecer... tudo o que me rodeia,
lhes tomar o sonho mais perfeito e revivê-lo como se
minha fosse essa doce realidade…
não é a primeira vez que não encontro… a voz que procuro…
não é a primeira vez que me seguro… vazio ao eco
que a mim retorna…
não é a primeira vez que sinto morna a cama onde nos amámos...
de que cor serão os sonhos… casa que me habita?
qual o perfume que tem o poema por onde caminhas agora?
porque será que tanto demora esse amor a acontecer?
vou fechar os olhos…
tentar ser engolido pelos sonhos..
esperar que quando amanhecer…
o acordar seja nos teus braços
uma manhã de amor florida
como intensa e exuberante a Primavera
onde floresceram também os nossos beijos
...
meu Amor,
o Inverno ameaça resistir
e retardar a Primavera
o frio congela ainda as horas de amor
que florescerão em nós...
adias o tempo e os abraços
onde ficaremos perdidos
e sonhamos ainda com a
a felicidade que regressará
talvez amanhã
...
propaga-se em mim um silêncio sepulcral
frio que emerge da terra que nos tomará…
no gélido esquife que agora habitas...
a solidão eterna!!!
e no que arde em nós...
a dor e saudade avivam as lembranças
do carinho que me deste...
e quanto, minha Avó, tu me quiseste e desejaste
o bem que nunca, até então, eu consegui...
quão negra a luz divina no vazio imenso que este triste dia emana...
meu anjo protector partiu
a voz que a mim chama a mãe que me abraça ainda…
...
que seja
todo o meu encanto
madrugada…
teu corpo o natural regaço
onde eu acorde
que em nós, Amor
tão alto se eleve…
nos gestos de uma paixão
que nunca morre
que seja
gota de orvalho,
por nós bebida,
esse húmido sentimento
em nossas bocas
um brinde à felicidade
conseguida
em todos os instantes
em que me tocas…
de dor e de saudade nos vestimos
pela distância imposta ao nosso abraço…
que a força do Amor que nós sentimos
perdure, eternizando esse Laço…
...
porque o teu corpo
é mar...
ausência onde navego agora
porque a saudade perdura
...
errante ondulação
das carícias onde se afogam
todos os meus desejos
porque o sabor
desses beijos
nos lembram o despertar
do amor onde sonhámos ficar
porque este tempo meu...
e teu
imerso na solidão profunda
nos faz tristeza
porque foi tanta a beleza
que me mostraste...
porque em cada abraço que te deste
foi tal a plenitude da entrega
porque o teu afago sossega...
o choro e o grito deste meu pranto...
porque te amo
agora e sempre
e tanto
por quanto em mim tão desejada foste
e és
tão minha...
aceito a inconstância da nuvem sob o azul impenetrável do firmamento... aceito deste o alento... olhar saudade do tempo onde não estás... sonho esse lugar onde sempre chegarás inteira e definitivamente minha... tu que és do meu corpo rainha e da alma o reflexo de amor que nos entorpece o querer...
somos poema que se quer dizer repetidamente... água ou sulco... que em nós se faça... terra ou rio!... somos amor que aquece e arrefece... o dia que apaga e reacende... quente ou frio...
mas somos... amar sem perder o que de nós se foi... o que a nós chega a cada imediato instante... flor, fruto ou semente alada que a brisa anima... somos cadência musical da rima em cada beijo molhado por acontecer... o tão desejado abraço que consagra esse sentir...
somos no que há-de vir o mesmo inalterado intento... somos tanto por fora amor como por dentro a luz profusa que nos ilumina... e somos tudo que em nós começa e em nós termina...
nem sempre grito. nem sempre soluço. nem sempre a distância encurta o tempo de solidão... nem sempre na tua mão aportam meus sonhos: navios de bruma perdidos no desencanto...
nem sempre no oceano desagua o pranto que nos desdiz... nem sempre o que se quis venceu... nem sempre o amor é tanto que nos mereça agora... nem sempre o tempo é hora que se deseja... nem sempre ousados fomos por cobardia... nem sempre tardia a esperança que se fez ao mar...
nem sempre... para ficar... ou regressar... pois que de tanto naufragar a vida afunda... não sei se me queres ainda... teu amante... ou se distante amor em nós perdido está...
não sei o que vingará... nosso perdão e arrependimento... nem sei o que será de nós... esquecimento
...
quero-te...
olhar colorido
abraço premente
beijo sentido
quero-te verdadeiramente
esse Lugar onde me libertar
quero morrer aí
e sentir que consegui
quero-te enfim
longe de mim......
sobre tudo
acima de tudo
suor e sangue
porque de luta e labuta
desidratam Homens
como pedra sobre pedra
edificando
a Eternidade!...amo os seres inquietos
que interrogam… a magia das Primaveras
a nostalgia dos Outonos que lhes precedem
a fé libertadora na poesia
sangue que percorre as artérias
suburbanas do poema…
amo seres que anunciam o canto dos pássaros
ao entardecer
dos sonhos que nutrem todas as madrugadas
amo os seres capazes de agitar os mares
desassossegados que ondulam num pensamento…
amo os seres que cegam ante a luz eterna
que alimenta a ferocidade divina
e a voz de todos os moribundos
que murmuram tão breve a vida
que lhes sucumbe nas mãosaqui se cantam
poemas com voz
de pássaro…
poeta alado
voando sobre
a verticalidade do verso…
íngremes florestas
onde nidificamos
todas as Primaveras
cada dia que passa
e o poema não chega
sinto-me culpado!
cada dia que passa
e a palavra se oculta
na sombra das emoções…
cada dia que passa
e a palavra silencia
um olhar despovoado
que já não vê e nem contempla
cada dia que passa
a emoção de ser quem sou
cada dia que passa
e me atravessa tão vazio
como o que há-de vir
cada dia que passa
e no meu sentir se desenham
nuvens tão cinzentas
cada dia que passa
chuva que regressa…
à solidão da terra…
a cada dia que passa
a desilusão de ter perdido
tempo que se repete a
cada dia que passa
e tu não estás…
sinto-me culpado
ainda o sol
ainda madrugada
ainda o levantar a esperança
a cada vã passada
ainda o pão
barriga saciada
ainda a fome a cada dentada
ainda o brilho
teus olhos de fada
lágrima de saudade
que me foi arrancada
"as imagens possíveis.../ neste lugar ao sul no meu/ interior nordeste/ uma viagem à minha / geografia interior/ lugar onde sou e que sou, sempre!.../ ainda que em Latitudes ausentes/ buscando uma longitude constante”
Mário João
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