será deus a maior invenção da humanidade
ou a maior decepção da sua própria criação?
inventámos um deus másculo, branco… quase santo…
no entanto… eu: Ateu… quase humano, quase deus -
à sua semelhança feito - quase perfeito…
ostento a imagem de alguém que cria
terá que ter ventre, seios e magia... suficiente
para me converter num seu cego
súbdito crente...
e porque o [des]crente duvida
até da sua própria fé
e a incerteza sempre será fundamental
para descodificar o bem e o mal
assim, digo ao desconhecido
e pouco convencido..
que...
se algum deus houver…
terá que ser mulher!!!
imagem: Gabriel Velxio
o poema entra em nós
como se quisesse ser um outro
vaguear sombrio, repleto de lugares...
sem nome, sem fome
e sem perdão...
imperdoável esse gesto solitário
que invade a intimidade desta casa
que mais não é senão este silêncio
onde não estás...
imagem: pescada na rede
por: um pescador de sonhos
...
queria desses olhos a outra face do mundo...
talvez me tenhas sentido ...
poema que atravessou nesse momento
o teu olhar...
acabarás por morrer inteira
inviolada luz que se apagará
nesse coração que me é
eterno…
impossível a noite
onde a chuva
chegue para te acordar…
mãe!...
agora que
pressentes
todas as palavras
que adormecem
a minha infância
e alimentam...também
a minha morte

houve um dia… em que nesse céu
todas as estrelas me prometiam
a tua boca… e que todas essas
palavras tuas…
que ainda ontem juravam
deter-se, para sempre,
em mim, com o mesmo
intenso amor…
não morreriam hoje!!!
escuto sobretudo a voz
que se interpõe à saudade:
brisa que te traz a mim…
murmurante vaga
tão cheia de vida …
imagem: pescada na rede
por: um pescador de sonhos
crescem-me poemas na insignificância...
redonda das coisas...
e nas brutais memórias que me são infância
a razão que cede a essa matéria inócua
que não existe...
agora!
ser algo perpétuo...
não ser o melhor
mas
Ser Verdadeiro!...
ainda que apenas a sombra
daquilo que ironicamente
nos sorriu...
só...
enquanto a dúvida
me devora...
e o tempo ameaça
sufocar o nosso
amor...
a angústia de te
saber perdida
confronta-se com a
alegria de te saber
parte de mim...
a melhor parte de mim
quedou-se nesse lugar etéreo
leito de quem amou
pétala a pétala o
jardim onde nos demos
sem mácula
Amor
esse suspiro branco…
saudade
o cristalizar
das horas
que somam
distância
nunca mais
vencida…
...
o Homem arde lentamente como um pensamento…
cinza que em nós restou...
premente a poesia torna-se a imediata combustão do sonho
que vertical se ergue do chão...
raízes não são senão versos rasgando
o que de interno somos no exterior da terra
e o fogo que a luz e o amor encerra...
liberta o aroma das emoções que se abraçam a nós...
i n s a n o s que verbalizam p o e s i a...
como se de incenso se tratasse
...
procuro-Te …
a noite agita-se, precipita-se sobre mim
vazia, implacável e fria!!!
desenham-se no meu pensamento o olhar e o sorriso… o abraço…
uma carícia tua… percorre-me neste silêncio deserto
entre as parede que me seguram nesta solidão horizontal…
procuro desesperadamente um poema que me leve a ti…
libertador!!!
o que haverá para além deste horizonte saudade
onde permaneço por ti tão apaixonado?
o que ficará aquém do teu mais íntimo desejo?
o que será de nós ausência?...
e quantos lugares extinguirão… quando partirmos?...
não é a primeira vez que me perco desperto no meio da insónia;
não é a primeira vez que me apetece adormecer... tudo o que me rodeia,
lhes tomar o sonho mais perfeito e revivê-lo como se
minha fosse essa doce realidade…
não é a primeira vez que não encontro… a voz que procuro…
não é a primeira vez que me seguro… vazio ao eco
que a mim retorna…
não é a primeira vez que sinto morna a cama onde nos amámos...
de que cor serão os sonhos… casa que me habita?
qual o perfume que tem o poema por onde caminhas agora?
porque será que tanto demora esse amor a acontecer?
vou fechar os olhos…
tentar ser engolido pelos sonhos..
esperar que quando amanhecer…
o acordar seja nos teus braços
uma manhã de amor florida
como intensa e exuberante a Primavera
onde floresceram também os nossos beijos
...
meu Amor,
o Inverno ameaça resistir
e retardar a Primavera
o frio congela ainda as horas de amor
que florescerão em nós...
adias o tempo e os abraços
onde ficaremos perdidos
e sonhamos ainda com
a felicidade que regressará
talvez amanhã
...
propaga-se em mim um silêncio sepulcral
frio que emerge da terra que nos tomará…
no gélido esquife que agora habitas...
a solidão eterna!!!
e no que arde em nós...
a dor e saudade avivam as lembranças
do carinho que me deste...
e quanto, minha Avó, tu me quiseste e desejaste
o bem que nunca, até então, eu consegui...
quão negra a luz divina no vazio imenso que este triste dia emana...
meu anjo protector partiu
a voz que a mim chama a mãe que me abraça ainda…
...
que seja
todo o meu encanto
madrugada…
teu corpo o natural regaço
onde eu acorde
que em nós, Amor
tão alto se eleve…
nos gestos de uma paixão
que nunca morre
que seja
gota de orvalho,
por nós bebida,
esse húmido sentimento
em nossas bocas
um brinde à felicidade
conseguida
em todos os instantes
em que me tocas…
de dor e de saudade nos vestimos
pela distância imposta ao nosso abraço…
que a força do Amor que nós sentimos
perdure, eternizando esse Laço…
...
porque o teu corpo
é mar...
ausência onde navego agora
porque a saudade perdura
...
errante ondulação
das carícias onde se afogam
todos os meus desejos
porque o sabor
desses beijos
nos lembram o despertar
do amor onde sonhámos ficar
porque este tempo meu...
e teu
imerso na solidão profunda
nos faz tristeza
porque foi tanta a beleza
que me mostraste...
porque em cada abraço que te deste
foi tal a plenitude da entrega
porque o teu afago sossega...
o choro e o grito deste meu pranto...
porque te amo
agora e sempre
e tanto
por quanto em mim tão desejada foste
e és
tão minha...
aceito a inconstância da nuvem sob o azul impenetrável do firmamento... aceito deste o alento... olhar saudade do tempo onde não estás... sonho esse lugar onde sempre chegarás inteira e definitivamente minha... tu que és do meu corpo rainha e da alma o reflexo de amor que nos entorpece o querer...
somos poema que se quer dizer repetidamente... água ou sulco... que em nós se faça... terra ou rio!... somos amor que aquece e arrefece... o dia que apaga e reacende... quente ou frio...
mas somos... amar sem perder o que de nós se foi... o que a nós chega a cada imediato instante... flor, fruto ou semente alada que a brisa anima... somos cadência musical da rima em cada beijo molhado por acontecer... o tão desejado abraço que consagra esse sentir...
somos no que há-de vir o mesmo inalterado intento... somos tanto por fora amor como por dentro a luz profusa que nos ilumina... e somos tudo que em nós começa e em nós termina...
nem sempre grito. nem sempre soluço. nem sempre a distância encurta o tempo de solidão... nem sempre na tua mão aportam meus sonhos: navios de bruma perdidos no desencanto...
nem sempre no oceano desagua o pranto que nos desdiz... nem sempre o que se quis venceu... nem sempre o amor é tanto que nos mereça agora... nem sempre o tempo é hora que se deseja... nem sempre ousados fomos por cobardia... nem sempre tardia a esperança que se fez ao mar...
nem sempre... para ficar... ou regressar... pois que de tanto naufragar a vida afunda... não sei se me queres ainda... teu amante... ou se distante amor em nós perdido está...
não sei o que vingará... nosso perdão e arrependimento... nem sei o que será de nós... esquecimento
...
quero-te...
olhar colorido
abraço premente
beijo sentido
quero-te verdadeiramente
esse Lugar onde me libertar
quero morrer aí
e sentir que consegui
quero-te enfim
longe de mim...
"as imagens possíveis.../ neste lugar ao sul no meu/ interior nordeste/ uma viagem à minha / geografia interior/ lugar onde sou e que sou, sempre!.../ ainda que em Latitudes ausentes/ buscando uma longitude constante”
Mário João
. eu noutros lugares
. Outras Latitudes
. my.space
. Marés...
. AnaMar
. Ágora
. Pétala
. Perla
. audio blogs