Terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Latitudes...

 

a situação levou-me a sair

de latitudes mais baixas e

a procurar abrigo em latitudes

menos poluídas de gente, que não é...

 

as rochas desagregadas,

movimentam-se lentamente

ao som dos guizos das cabras...

Pastor !...

 

pastam meus olhos

e meus ouvidos, buscando

a melhor forma de escrever pedra,

de a perceber dura,

de a sentir vida!...

 

a cidade é bem mais calma

vista a esta distância.

a sua dureza e a sua esterilidade

agigantam-se, sombrias.

olhos tristes os que só longe

vos conseguem calma.

fachada hipócrita essa,

visão enganosa que vos tolhe a alma.



publicado por Latitudes às 09:31
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
ilusão...

 

somos

da ilusão...

os iludidos

por entre constelações

perdidos...

somos no imaginário

dos deuses

os esquecidos

agora eu sei...

que o azul é apenas

um enigma por desvendar

no lugar onde nós sonhamos

tão cinzentos

 



publicado por Latitudes às 23:22
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
poeta e artesão...

 

poeta e artesão

lavrador de opinião

escultor de ideias contrárias

algumas de igual corrente…

arquitecto de cabanas

cadeiras mesas e camas…

e outros mais acessórios

de tamanha serventia…

gaiolas? quando as fazia

e pombais prá passarada

sem saber que a poesia 

não se faz numa jornada…

poema em construção

de madeira ou de betão…

 

e se tiver um ferro à mão

também se constrói mobília

ou se faz dele instrumento

para acompanhar a canção…

pescador de solidão

de amor que sonha seu rio

a vida por onde corre…

onde nasce e se consome

aquilo porque se morre…

 



publicado por Latitudes às 11:51
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Domingo, 4 de Outubro de 2009
breve consciência…

 

a falta de lucidez que nos mantém

entre o consciente e o inconsciente;

entre o conhecido e o desconhecido…

um estado…  que possibilita

a improbabilidade  do  verbo

no versejar exacto  desse tempo…

que nos traz poesia…

 



publicado por Latitudes às 01:35
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Ghost...

 

entre mim e ti...

o mistério com que fechas todas as portas...

apesar dessa maré cheia... de amor...

sinto-te naufragar em sentimentos muito mais

sombrios...

 



publicado por Latitudes às 01:25
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
rumor…

 

oferece-me o teu olhar

esse asterismo que reflecte um universo

de ternura…

as tuas carícias são como nuvens de beijos

que antecipam uma precipitação tropical…

o meu corpo arde… deseja que chova!

pressinto-te na última palavra

que a saudade sufoca…

derradeira brisa

que afaga o poema exangue

reflectindo nostalgia…

no rio que emerge do Outono

humedecem as lembranças

daquilo que restou depois do adeus…

o que passou… fez

de nós seres mais silenciosos

e as nossas mãos estenderam-se no vazio…

importa dizer que o silêncio

potencia o grito do rumor que fomos…

no coração da mulher a quem amamos

 



publicado por Latitudes às 14:20
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Tempo de viver...

 

nasce um tempo novo

a cada momento que passa

enquanto por nós o tempo passa

mais nossa vida é escassa…

 

fica o tempo mais novo

roubando o tempo ao povo

sorvendo-lhe a juventude

 

há quem diga que é mentira

que a vida nunca expira

que é essa a sua virtude

 

renovar, refazer, recriar, renascer!

 

no entanto

o tempo por fim…

não ao eu, mas sim a mim

diz-me que o tempo…

 

dá-nos olhos descorados

dá-nos uns rostos lavrados

dá-nos pena… dá-nos pena!

 

dá-nos, enfim, pouca sorte

dá-nos terra

dá-nos morte

 

o tempo sorve-nos!

o tempo verga-nos!

o tempo cala-nos!

 




Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Desolação...

 

 

ò Desolação sem sentido...
não te esquecerei!!!
consente-te meu coração
ausência sem remédio
neste viver como quem morre
a dor deste vazio

 




Domingo, 28 de Junho de 2009
terra de girassóis...

 

terra de girassóis...

onde a paixão duradoura

arde ainda [im]pertinente...

quaisquer vestígios desse aceso sentir...

incendiários desatinos... que nos fazem regressar...

rendidos!

 



publicado por Latitudes às 23:46
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Sábado, 20 de Junho de 2009
beijo náufrago...

 

ser…

na tua terra nua… o mar!…

na tua boca…

o beijo náufrago

onde afogámos o desejo;         

no marulhar húmido desse gesto…

onde nos exilámos…

uma brisa de afagos exalando nostalgia;

onda que envolve o redundante poente

onde nos reencontramos

rumando à poesia

 



publicado por Latitudes às 23:48
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Domingo, 14 de Junho de 2009
contor[nus]...

 

ser como esse deus onde se

renova o ancorar dos

corpos náufragos de desejo

 

ser esse pássaro morto

à espera de acordar...

poema… inscrito

num  beijo teu

 

ser!... como quem morreu

às mãos de um ser divino

poeta que se rendeu

aos contor[nus] do

amor vivido

 



publicado por Latitudes às 20:05
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Domingo, 7 de Junho de 2009
procura...

 

procuro uma frase que mereças!...

para que te não ardam

esses olhos lindos

que procuram recordar-me...

 

busco os enigmas

desse nome que proteges

dos precipícios onde tombam insuficientes

as palavras vertigem onde nos encontramos...

 



publicado por Latitudes às 09:27
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Domingo, 17 de Maio de 2009
coração fértil...

 

meu coração tombado

em terra desconhecida…

a tua terra.

minha voz murmura

a quietude do teu corpo

…onde repetidamente

se lançam pólenes

que brotam de mim…

 

coração fértil...

minha terra afirma[Te] de ouro..

como searas onduladas pela brisa suave

que sopra de sul…



publicado por Latitudes às 23:04
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
afectos...

 

“Nenhum afecto me expele para além de ti”… canto.chão

retorno… como se

nunca saído desse paraíso onde nos recrias…

a infinita dimensão do poema…

Latitude maior!

Tecedeira de expirações soberanas…

quero-te!

desde o brilho intenso da madrugada

até à crepuscular tonalidade do abraço…

onde metamorfizam as lembranças

e os quase esquecimentos…

 

esse tempo mínimo de seres borboleta

que repousa em mim 

a nostalgia exacta de sua asas…

essa perfeita geometria que

eterniza a liberdade de poder

voar para o princípio de tudo…

e que suaviza o tempo deposto

no rosto e na memória

 

tudo em nós se manifesta com grandeza

porque o sermos nada, ajuda

a sermos tudo…

o que o nada pode ser…

:um vazio, ávido de preenchimento

 



publicado por Latitudes às 19:08
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Sábado, 18 de Abril de 2009
realidade convulsa...

 

subscrevo a fé

que suporta

esse nosso mundo

de sonhos horizontais…

 

inscrevo-me…

na realidade convulsa

dessa boca que acende

todo o meu desejo

 



publicado por Latitudes às 00:07
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
murmúrios de ausência…

 

o murmurar da água

precipita o tempo que se conta

em tua ausência…

que se prolonga; que se estende…

nessas mãos que nunca chegaram

a acalmar o ondulante desejo

onde aportam os barcos desgovernados

da nossa imaginação…

amor que à deriva

não encontra rumo…

e não sabe como largar do embarcadouro

de onde nunca partiram os anseios

que ainda sobrevivem

à consumição da vida...

 



publicado por Latitudes às 11:15
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Domingo, 5 de Abril de 2009
saudade...

 

...saudade?!... em todas as Primaveras... em todas as eras... saudade que mata... todos os lugares... saudade que fica... quando souberes... saudade que abraça... todos os amores... saudade das flores... de todas as cores... saudade do tempo... que nem sempre sorriu... saudade que chega... quando Já partiu!!!...



publicado por Latitudes às 08:13
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Domingo, 29 de Março de 2009
Só...



Ele adormece o grito do silêncio

que agoniza no sangue do ausente.



Poeta mago

ousando combinar o branco e o negro

em versos... de amor

ainda que com a tinta da parede

cheia de nostalgia.



Borboletta

 



publicado por Latitudes às 23:34
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Domingo, 22 de Março de 2009
Vazio 5...

 

poder despertar de mão dada com outros sonhos...

ancorado às ideias que habitam este lugar de ausências…

despertei!... para o que deixei de ser

naquilo que ainda é vazio!!

 



publicado por Latitudes às 05:26
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Vazio 4...

 

há uma saudade

que desenha no horizonte

o perfil inquietante

da ausência

que nos habita…

 



publicado por Latitudes às 19:38
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